Há dores que não chegam fazendo barulho.
Elas simplesmente se sentam ao nosso lado e começam a ocupar espaços que antes eram preenchidos por certezas.
Talvez uma das partes mais difíceis de amadurecer seja descobrir que algumas coisas pelas quais oramos, esperamos e trabalhamos podem não acontecer exatamente como imaginávamos. Pessoas nos decepcionam. Planos mudam. Relacionamentos revelam fragilidades. Portas que pareciam respostas começam a trazer perguntas.
Aos 20, talvez eu acreditasse que maturidade fosse ter respostas. Hoje penso quase o contrário.
Maturidade é conseguir permanecer diante de uma pergunta sem inventar uma resposta apenas para acabar com o desconforto. É não tomar uma decisão definitiva no auge de uma emoção passageira, mas também é não chamar de “fase” aquilo que, repetidamente, está nos mostrando uma verdade.
É aprender a diferenciar paciência de acomodação, perdão de permissividade, esperança de negação. E isso dói!
Nem toda perda significa que você perdeu.
Existe beleza na perseverança. Mas também existe sabedoria em reconhecer limites. Ser inteira não significa conseguir carregar tudo. Significa conhecer suficientemente a si mesma para perceber quando alguma coisa está começando a custar partes importantes de quem você é.
Tenho aprendido que nem toda decisão precisa ser tomada imediatamente.
Existe um tipo de ansiedade que tenta nos convencer de que precisamos resolver a vida até sexta-feira.
Não precisamos! E há momentos em que o mais sábio que podemos fazer é continuar caminhando, observando, orando, ouvindo e permitindo que o tempo revele aquilo que a emoção ainda não consegue enxergar com clareza.
Minha fé me ensinou algo precioso sobre isso: Deus não precisa da minha pressa.
Posso levar minhas perguntas até Ele sem embrulhá-las em uma conclusão bonita. Posso dizer que estou triste, decepcionada, que não sei, que esperava diferente e que tenho medo de escolher errado.
Fé também é permanecer diante de Deus quando ainda não temos uma frase bonita para explicar o que estamos vivendo. Talvez amadurecer seja isso. E, principalmente, continuar sendo alguém capaz de acreditar no que é bom depois de ter conhecido algumas decepções.
Hoje não quero uma vida sem cicatrizes. Quero uma vida em que nenhuma cicatriz tenha autoridade para definir quem eu me torno.
Talvez, talvez não, eu ainda não sei como algumas histórias terminarão, mas sei como quero atravessá-las. Inteira, com ternura, mas também com discernimento, com esperança, mas sem fechar os olhos para a realidade. Com coragem para permanecer quando permanecer fizer sentido. E com coragem para seguir quando seguir for necessário.
Porque existe uma maturidade silenciosa em perceber que nem sempre podemos escolher aquilo que nos acontece, mas ainda podemos escolher quem estaremos nos tornando enquanto atravessamos isso. E talvez seja justamente aí que comece o próximo capítulo.
